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Arte e sustentabilidade ganham destaque em exposições e prêmio de design na Casa de Metal

Confira a data, local e informações das exposições Jardim Mineral: Geopoéticas da Matéria e Alquimia da Terra.

Atualizado em 29/04/2026 às 17:04, por Fábio Almeida e Sofia Cingotta.

Os materiais que compõem uma obra de arte são essenciais para o seu significado e valorização cultural. Mas, nem sempre os artistas estão atentos aos recursos utilizados e às consequências do manuseio e do descarte de tintas e materiais no meio ambiente.
 

Contêiner “Jardim Mineral”  jardim da Casa de Metal - Foto: Fábio Almeida


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Nesse contexto, uma das exposições, Jardim Mineral: Geopoéticas da Matéria, tem origem exatamente nos sintomas que diversas marcas de tintas provocaram na pele da artista Ana Elisa Murta. Com uma trajetória que já passou por exposições em Londres e Abu Dhabi, ela buscou soluções alternativas após diversas experiências com materiais industrializados, ela passou a buscar soluções alternativas para sua criação artística.

No meu trabalho, ela ganha outra dimensão, porque vem de resíduos minerais que eu mesma coleto e transformo. Quando isso acontece, a cor deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a carregar uma origem, um percurso e uma materialidade que também fazem parte da obra

Ana Elisa Murta

Murta é de Minas Gerais e observou que os rejeitos da mineração de ferro tem a cor avermelhada que poderia ser uma fonte de pigmento alternativo às tintas industrializadas. Ao refinar e tratar esse rejeitos, a artista percebeu que não havia irritações em sua pele quando utilizou esse tipo de tinta artesanal.
 

Ana Elisa Murta em produção para a exposição Jardim Mineral: Geopoéticas da Matéria - Fotos: Angelo M. Lima

 

Essa busca por segurança e sustentabilidade levou a artista a criar uma colaboração técnico-científica com o Escalab, da UFMG, para validar a toxicidade e o aprimoramento dessas tintas e texturas minerais atóxicas.
 

As obras passaram a ter esse composto e o resultado são quadros de tonalidades terrosas e rastros rígidos, que parecem revelar uma difícil transposição de barreiras. Além das telas, a exposição apresenta esculturas, blocos sólidos desenvolvidos a partir desses mesmos rejeitos, que ocupam o espaço evidenciando a densidade da matéria-prima. Percepção presente no conceito da exposição através de sua atual condição de criadora e produtora do insumo cromático, que tem base em pigmentos alternativos que não mais geram incômodos na pele de Murta.

A exposição da Ana Elisa materializa de forma clara essa aproximação entre arte e indústria que a Casa de Metal propõe. Ela parte de resíduos minerais e são transformados em linguagem artística

Flavio Enninger, Instituto Cultural Quattro, responsável pela Casa de Metal Espaço Cultural.

Alquimia da Terra de Verônica Spnela
 

Exposição Alquimia da Terra, por Verônica Spnela, no salão amplo da Casa de Metal Espaço Cultural - Foto: Fábio Almeida

Os pigmentos e materiais são foco da exposição que ocupa o salão amplo da Casa de Metal Espaço Cultural. Uma montagem que rompe com a proposta de galeria de cubo branco e traz o visitante para um ambiente pessoal, quase doméstico. Na verdade é a atmosfera de um ateliê, com bancadas, pincéis, tintas, desenhos e livros dispostos ao ritmo do artista. Um conjunto com exibição de vídeos e recursos de interatividade digital completam a imersão nesse mundo pouco visitado dos artistas.
 

O foco dessa curadoria é uma revelação sobre os materiais usados na história da arte. Normalmente, uma disciplina que aborda apenas a visualização das imagens e conceitos gerados. E quando os materiais são abordados, esses são avaliados pelas formas, texturas, brilhos e cores, raramente por sua composição física, química e geológica.
 

Casa de Metal, Espaço Cultural - R. Antônio Comparato, 218 - Campo Belo, São Paulo - SP, 04605-030

A composição mineral das tintas e materiais compõem inúmeros fatos históricos, apenas evidenciados em situações de tragédias ou admiração plástica. Um dos mais conhecidos é a descoberta do verde de arsênio, pigmento criado em 1775 pelo químico sueco-alemão Carl Wilhelm Scheele. Esse elemento químico se popularizou devido ao tom verde-amarelado brilhante, diferente das matizes opacas da época. Ao mesmo tempo, o verde de arsênio provocou o envenenamento através do uso em roupas e utensílios pessoais.
 

Tabela periódica de arsênico - Por: Handrox-G - Edição: Sofia Cingotta. 

Em seguida também foi criado o "Verde de Paris" ou "Verde de Schweinfurt", com mais durabilidade e tonalidade esmeralda. Produto que também continha arsênio como ingrediente principal e com as consequências desconhecidas na época. Conforme informações da Wikipédia.

Arte e Sustentabilidade 

As duas exposições destacam o impacto da responsabilidade ambiental e suas diversas consequências nos produtos oferecidos pelos fabricantes. Tanto a vivência de Ana Elisa Murta com os transtornos dermatológicos, quanto os questionamentos de Verônica Spnela expondo a história dos elementos químicos na arte, ambas abordam questões contemporâneas e urgentes de sustentabilidade, com fatos que a cadeia de produção da arte poucas vezes tem considerado.

As marcas fabricantes, escolas, faculdades e programas de produção de artesanatos estão dentro de um conjunto em que a informação sobre a essência dos materiais, o fluxo de uso e descarte nem sempre estão incluídos nos rótulos, currículos e práticas de formação. Os riscos estão presentes nas sensíveis questões de saúde pública com impacto em grande escala. No campo corporativo, as organizações também podem se aproximar de crises de imagem de marcas e empresas distribuidoras.

O setor de ensino da arte que expõe materiais industriais a alunos e professores não têm considerado os perigos para saúde, nem as formas de descarte corretos dos materiais com potencial de se tornarem poluentes na água e em todo o sistema hídrico.

Inovação e Arte Sustentável na Casa de Metal

Diante das consequências do uso de materiais com elementos minerais na produção de arte, a criação contemporânea passa a ter envolvimento também com variáveis que vão além da simples plástica e formalismo das peças e conceitos.

São oportunidades de inovação e ao mesmo tempo de sintonia com a sustentabilidade para o artista e para a sociedade, que se mostram com os seguintes campos de percepções:

- História dos minerais que compõem a peça e os processos

- Concepção original e visual na aplicação dos compostos minerais e elementos químicos

- Responsabilidade ambiental da obra de arte como conceito e produto físico

A proposta de alinhamento de diversos temas culturais com sustentabilidade tem sido uma característica observada nas recentes propostas da Casa de Metal Espaço Cultural. 

A convergência entre a gestão cultural de Silvia Toledo e o rigor técnico de Leandro Alves tem revelado um diferencial da Casa de Metal. O resultado é um novo centro cultural que eleva o padrão das exposições em São Paulo ao oferecer uma experiência única no cenário das artes.
 

Área externa da Casa de Metal 



A Similaridade do Produto Industrial e Arte

Quando um consumidor adquire um produto industrial, ele está levando toda a atitude da empresa fabricante junto com esse ítem. Da mesma forma, uma obra de arte incorpora em sua concepção, todos os materiais e processos usados, inclusive em nível molecular.

Nesse caso inclui-se também a assinatura do artista que espera-se que tenha construído o trabalho dentro de condições e consequências ambientais, além de éticas e de valores sustentáveis.
 

O Design em busca de Soluções

Quando se fala em design, muitas vezes essa palavra é associada apenas ao impacto visual dos produtos, até mesmo é comum ouvir “design arrojado”. Mas, a produção do profissional designer é uma pesquisa aprofundada para gerar o domínio necessário de criação e produção de um material, produto ou serviço.
 

Associar a utilidade, a harmonia visual e até mesmo a beleza, são os desafios dos designers criadores.
 

O Prêmio de Design e a Economia Circular


O que as duas exposições (Murta e Spnela) clamam aponta para um dos grandes problemas da nossa época. O fato que os produtos do nosso cotidiano foram criados apenas para cumprirem a jornada comercial e de uso pelo consumidor. Nada, ou pouco foi pensado para reutilizar embalagens e rejeitos, mesmo os mais poluentes.
 

Tela de apresentção do Prêmio Renova de Design - fonte: website
Tela de apresentção do Prêmio Renova de Design - fonte: website

 

Nesse contexto, o Prêmio Renova de Arte, Design e Metais no Meu Mundo, realizado pela Casa de Metal Espaço Cultural naturalmente direciona a um desafio mais intenso, diante das condições ambientais e constatações científicas em nossa época.
 

Um desafio que pode ser plenamente coordenado pela experiente jornalista Regina Galvão, que assume a curadoria do Prêmio Renova em 2026.
 

Iniciativas como essa fortalecem a conexão entre educação, cultura e indústria, criando pontes importantes para a formação de profissionais mais conscientes e preparados para os desafios do futuro

Valdomiro Roman, Diretor de Operações da ABM


 

Informações:

Exposição "Geopoéticas da Matéria" de Ana Elisa Murta. No Espaço Conteiner, equipamento permanente no jardim da Casa de Metal.
https://casademetalcultural.com.br/programacao/abertura-exposicao-jardim-mineral
 

Exposição “Alquimia da Terra” de Verônica Spnela - No salão amplo da Casa de Metal Espaço Cultural
https://casademetalcultural.com.br/programacao/abertura-exposicao-alquimia-da-terra

 

Prêmio Renova de Arte, Design e Metais no Meu Mundo - Inscrições até 31 de maio de 2026 pelo site oficial: https://premiorenova.com.br/

 

Casa de Metal Espaço Cultural - Visitação gratuita, de terça a sábado nos horários de abertura da Casa de Metal.
Rua Antonio Comparato, 218 - Campo Belo - Cep: 04605-030 - São Paulo - SP - Brasil