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O Segredo da Água: Engenheiro Explica como a Floresta é Essencial para ter Água nas Cidades, em evento na Casa das Rosas

Atualizado em 08/12/2025 às 14:12, por Fábio Almeida.

Enquanto São Paulo debate a crise hídrica, a solução para a água da cidade estava sendo demonstrada em uma maquete na Casa das Rosas, na Avenida Paulista. O engenheiro agrônomo e educador ambiental José Carlos Perdigão levou a maquete "Dinâmica da Água" para a Virada Sustentável, provando que o combate às enchentes e a retenção da água começam no solo, com o manejo correto da vegetação.

José Carlos Perdigão apresenta a Maquete da Água na Casa das Rosas, com a consultora Isabella Prata ao fundo.
Foto: Fábio Almeida / PauliXnews

A demonstração de Perdigão é visualmente impactante: ao aplicar a mesma quantidade de água em dois cenários – um simulando pastagem/solo compactado e outro simulando a floresta –, a diferença no fluxo é imediata.

Na simulação de solo compactado, a água escoa rapidamente, causando inundação e pouca ou nenhuma infiltração. Já na floresta, o solo rico em matéria orgânica e raízes funciona como uma esponja gigante, absorvendo a água e liberando-a de forma lenta e filtrada, garantindo o reabastecimento do lençol freático – a principal fonte natural de água.

José Carlos Perdigão: "A floresta não é apenas o pulmão; é o maior reservatório subterrâneo que existe. A água que a gente toma na cidade vem da eficiência do solo. Ao impermeabilizar e desmatar, você está criando a enchente e a seca ao mesmo tempo."

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A Cratera Urbana e a Perda de Subsistência

O debate sobre o ciclo da água ganhou força com o depoimento de Marília Vassimon, moradora da região, que criticou a distância entre o discurso de grandes corporações e a prática no entorno da Paulista.

Marília Vassimon: "Sustentabilidade, meio ambiente. São coisas que as pessoas acham que é da Mata Atlântica, da Amazônia, tudo isso. E só que você mora aqui na região Paulista. E a gente poderia ter isso bem perto (a vegetação). Tem muito pouco, poderia ter muito mais."

A moradora criticou o avanço da exploração imobiliária e a substituição da natureza pela construção em seu bairro, a qual ela chamou de "cratera imobiliária". A expansão do asfalto e do concreto no coração financeiro de São Paulo contradiz a lição visual da maquete de Perdigão: quanto mais impermeável a área, mais vulnerável a cidade se torna.

A voz dos moradores e a ciência do Engenheiro Perdigão convergem em um ponto central: o Jornalismo de Soluções precisa focar na aplicação local do conhecimento. O desafio para a Avenida Paulista não é apenas discutir a Amazônia, mas sim garantir que o solo respirável e as áreas permeáveis sejam prioridade na próxima obra, transformando a ciência da maquete em política urbana.

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